O app de itens de graça que cresceu na base do anúncio pago

Depois de mais de 45 apps em cerca de um ano, Benjamin ficou com um só e comprou o público do Snag vídeo por vídeo.

Quem abre o Snag vê a lista de itens que estão sendo dados de graça ali perto. O app rende US$ 30 mil de receita recorrente por mês, o dinheiro que entra em assinatura e se repete no mês seguinte.

No acumulado, mais de 100 mil pessoas já criaram conta. Benjamin Chen acompanha esses números no Superwall, serviço que testa as telas de assinatura de um app e mostra quanto elas rendem.

Ele é diretor de operações da 10x, empresa de apps de consumo em Nova York. Antes do Snag, construiu mais de 45 apps em cerca de um ano. O que este texto destrincha não é o app, que ele levanta em algumas horas. É a máquina que trouxe gente para dentro do Snag: criadores de conteúdo contratados por mês, vídeos escolhidos pela audiência antes de virarem anúncio e um número que manda desligar a campanha.

Mais de 45 apps e o método de montar o próximo

Os apps anteriores morreram cedo. O primeiro, de autoajuda, chegou a 11 mil usuários com custo de aquisição praticamente zero: quase nada gasto para trazer cada usuário. E parou aí. Ele trocava de projeto assim que aparecia um mais interessante.

O processo de construção cabe num turno de trabalho. Começa pela promessa de marketing e pelo que o usuário precisa entender nos três primeiros segundos. As telas são desenhadas no Figma, editor onde a interface é montada antes de existir código.

O arquivo vai para o Claude Code, assistente de programação da Anthropic, rodando dentro do Cursor, o editor de código que ele usa. Quatro a cinco horas depois existe um app de pé, ainda sem back end, a parte invisível que guarda dados e contas. Ela entra em seguida, com o Supabase, que já vem com banco de dados e login.

A ideia não vem de dor própria. Vem de tabela. No Sensor Tower, serviço que estima quanto cada app das lojas de aplicativos fatura, ele procura os que já dão dinheiro e reconstrói o que encontra.

"Ou você pode entrar no Sensor Tower e procurar ideias que estão dando muito dinheiro, e aí literalmente copiar o mesmo app, só que fazendo 10% melhor."

Benjamin Chen, diretor de operações da 10x

O método não é segredo, e a cópia vem nos dois sentidos: depois que lançou o segundo app apareceram cerca de 20 clones. Para Benjamin, copiar não é o problema, porque a ideia vale pouco perto da execução. E execução é interface, marketing e funil, esse caminho que leva quem chega ao app até virar pagante.

O canal é comprado

A distribuição do Snag não foi boca a boca. Foi contratada. A 10x procura criadores de UGC, sigla para conteúdo feito pelo próprio usuário: vídeo caseiro, gravado no celular, com cara de recomendação e não de propaganda. Cada candidato passa por uma entrevista. A aprovação fica em 9 a 10 de cada 100. Quem entra recebe um valor fixo por mês mais um pagamento por mil visualizações.

Daí em diante quem decide é a audiência. O vídeo circula primeiro sem dinheiro por trás. O que passa de 50 mil visualizações vira candidato a anúncio; o resto morre onde nasceu. Um dos aprovados fez 240 mil visualizações. Para esse alcance orgânico, as visualizações que o vídeo junta sem anúncio pago, Benjamin trabalha com uma régua: US$ 1 mil a 2 mil de lucro de assinatura a cada 100 mil visualizações.

O vídeo aprovado vira criativo, a peça que roda como anúncio. A estreia é no Meta Ads, plataforma de anúncios do Facebook e do Instagram, com US$ 50 por dia. O que manda no resto é o ROAS, retorno sobre o gasto com anúncio: quanto de receita volta para cada dólar investido.

Com o ROAS acima de 1, o orçamento sobe em degraus: 50, 100, 200 e 300 dólares por dia. Não é uma reta. Para ele, dobrar o gasto não dobra a margem, e todo criativo se desgasta de tanto ser visto. Nesse caso, a conta parou em US$ 3 mil no total, quando o retorno virou negativo.

A economia do app

O Snag cobra assinatura semanal, mensal e anual, e tem ainda a opção de compra única. Benjamin descreve a oferta como alguns dólares por mês em troca de acesso a itens que valeriam centenas. Desde o lançamento são 9 mil conversões: cada uma é uma vez que alguém aceitou pagar. A receita acumulada passa de US$ 80 mil. O preço exato da assinatura não é público.

A descrição do próprio app na App Store avisa que é preciso pagar para usar e que a versão gratuita mostra apenas dados de exemplo. Nas avaliações negativas a queixa se repete: os assinantes dizem que pagaram para ver listagens que levam ao Facebook ou ao Craigslist, site de classificados gratuitos.

O que dá pra construir daqui

O ativo do negócio não é o app, que se refaz em cinco horas. É a régua. Um corte de audiência que separa criativo bom de ruim antes de qualquer gasto. Um teste de mídia barato o bastante para errar várias vezes seguidas. E um limite declarado de quando desligar.

Quem cobra pouco de muita gente consegue montar a mesma régua com outros números, seja num clube de assinatura, num app de nicho ou num serviço recorrente de bairro. O que não dá para copiar sem caixa é a partida: a máquina só liga quando existe dinheiro sobrando para queimar em teste. E quanto do faturamento sobra depois de pagar criadores e anúncios não é aberto.

As lições

Procure a ideia onde o dinheiro já está. Benjamin escolhe o que construir olhando o que já fatura nas lojas e entrega uma versão um pouco melhor. Fora do mundo dos apps a decisão é a mesma: antes de inventar um serviço novo, liste os três concorrentes que mais vendem perto de você e escreva o que faria 10% melhor em cada um.

Trate a busca por criador de conteúdo como funil, não como sorte. O aproveitamento da 10x é de 9 a 10 a cada 100 entrevistados. Se você quer cinco criadores bons, a meta não é achar cinco; é conversar com cinquenta.

Deixe a audiência descartar o criativo ruim antes de você pagar por ele. O corte da 10x é de 50 mil visualizações por vídeo sem anúncio por trás. Vídeo que ninguém assiste de graça não melhora com dinheiro. Escolha o seu próprio corte, mesmo que o número seja bem menor.

Escreva o número que desliga a campanha antes de subir o orçamento, não depois. Na 10x esse número é o ROAS: abaixo de 1, o anúncio sai do ar. O gasto sobe em degraus de 50 até 300 dólares por dia e para em US$ 3 mil. Sem esse limite combinado antes, quem decide a hora de parar é o extrato bancário.

Se você já montou uma régua parecida para decidir onde põe dinheiro, conta pra gente.

Os números deste case saem da conversa de Benjamin Chen com o Starter Story.

Categoria: App·País: Internacional·← voltar pro acervo
// Newsletter

As histórias da semana, direto no seu e-mail

Assinatura gratuita. Toda terça, você recebe as histórias novas que entraram no acervo.